29.11.16

zebald

o que aprendemos neste semestre

que se parar pra analisar povos de diferentes agrupamentos que produzem diferentes praticas culturais quais circulam desde entre a maneira do espirrar e sua hermeneutica condizente a uma epistemologia coletivamente meio que acordada deve-se colocá-los lado a lado e perceber as diferenças como elementos discretos desprovidos de valor, positivo ou negativo

veja bem

antes de falarmos somos tipo uma amebinha no contexto da cultura humana
daí falamos, somos crianças
vem um adulto e diz
odeie essas pessoas
ria desses cabelos
deseje este perfil de parceiro
daí monstro sai da jaula
e faz coisas horríveis

aí vem uma parte muito interessante que no caso é a semelhança de práticas entre diferentes povos, que se sondam, se percebem, mas nao se comunicam, n tem conversations
isto é,
no omegle talvez

veja bem

existe uma barreira entre os povos: chama-se língua, que também possuem atribuição diferencial, e também desprovidas de positividade

estou certo de que estamos em levi strauss e roland barthes aquiiiiiiiiii

aí existe nessas práticas mil
entre colares e temperos
entre burcas e ambúrgueres
entre ingreja, sinagoga e mosteiro
existe uma chamada escrever coisas sobre coisas
e vc pode notar que ela existe
mas perecer por causa da língua
por causa do alemão que nao falo, possivelmente jamais conhecerei
a mini-escrita de walser,
a jornada de gallanz,
os diário de trabalho de brecht e seu abcdário belial
por isso dependo do sebald, em português sebaldo, pra confirmar tudo o que vi na aula

e nesse trilho, existe gente que escreve sobre escrever sobre coisas,
são os críticos
pertencem a uma casta literária que se admite não-ficcional

estudar história agora
desmoraliza o preciosista
mas tem esse q alephiano
de ser tudo sem ser
em qualquer língua
passo a ter acesso à loucura de ernst herbeck
ao n sei o que de doblin e sternheim
o detalhe de stiffler
só porque fiz um curso de literatura alemã
visitei autores austríacos
e possuo internet no quarto

e mesmo com tudo à mao
não sento pra ler o olho da história
engulo a existencia dos 6 tomos
com a ansiedade de sabê-los não lidos
adivinhados

diferentes povos se matam diferente
hitler?
muçulmanos?
portugueses e espanhóis?

diferentes povos protestam diferente
formam novos povos
globalizam a querela

comem coisas diferentes
preparariam tudo diferente
se não falassem

se acaso n discutissem, n poderiam brigar
nem fazer valer a comoção
se nao deram valor diferencial positivo pra isso
passamos a dar

tenho meu método de pensar
se n te curvares a mim
ou provares que podes me alcançar
terei de te matar
pois assim é a nossa lei
muçulmana, portuguesa, espanhola, nazista
matamos e escravizamos,
desde sempre

como foi a idade média no brasil?
não mais que um parágrafo
faça suas contas
temos tribos canibais no brasil? eram mais canibais
temos tribos que comem caranguejeiras no espetinho? comiam mais
temos tribos que habitam ocas?
enquanto bebia-se cerveja artesanal
enquanto a suécia e a dinamarca guerreavam pela noruega
enquanto século após século o silêncio do kung fu das 5 da manhã
ruma incólume para hollywood
os índios brasileiros dançavam, trepavam e conviviam com sua própria savana
ao invés de leões,
mosquitos da dengue da época,
nos 3 meses de chuva,
o rio amazonas cobre o cimo das árvores
que é onde os índios medievais buscam  suas aventuras

eles foram apagados da nossa costa
n tinha índios no rio de janeiro?
na bahia n tinha?

vão querer que você acredite
que não tinha índio em cada buraco
do paraíso que é a costa desse país
que o hans staden n sofreu nenhuma edição
-deixem me ler essas correspondências a sós (...) lê "nas encostas, as mais belas mulheres de corpos desnudos. no calor escaldante do meio dia, os bicos dos seios despontam para o sol, revelando-se de dentro do cetim azulado do mar desta terra. Tanta generosidade teve Deus com este povo" ... povo? vamos cortar essa parte do povo
(...)
e cortar esse povo também
ninguém precisa saber que essa gente existiu
o poder está conosco
geramos a episteme
a história lembra-rá de um país deserto
um desperdício divino
encontrado pelos ibéricos

hans staden nunca quis sair daqui, nunca quis escrever uma única linha
ele queria visitar esse safari, comer daquele banquete espalhado em árvores,
banhar-se diariamente naquele mar
despir-se do couro
da renda
do babado
da luva
do chapéu
do rebite
da espada
queria um arco e flechas
muito mais original

índios
mulheres
negros

brancos
homens
brancos

neste semestre aprendi que toda a falência do ser humano está documentada em literatura, a única fonte confiável da história, pois que ao eximir-se da verdade, acaba revelando muito mais do que quem é eleito para contá-la. que essa literatura se extende em inventar histórias, falar sobre ser humano, falar sobre como o ser humano se organiza num grupo imenso, falar sobre práticas coletivas, denunciar abusos de poder, pensar o comportamento da pessoa como indivíduo e sua interação com o social, a oposição entre suas criações e o natural
enfim, tá tudo lá
na livraria mais perto de vc
a WWW


















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