29.11.16

zebald

o que aprendemos neste semestre

que se parar pra analisar povos de diferentes agrupamentos que produzem diferentes praticas culturais quais circulam desde entre a maneira do espirrar e sua hermeneutica condizente a uma epistemologia coletivamente meio que acordada deve-se colocá-los lado a lado e perceber as diferenças como elementos discretos desprovidos de valor, positivo ou negativo

veja bem

antes de falarmos somos tipo uma amebinha no contexto da cultura humana
daí falamos, somos crianças
vem um adulto e diz
odeie essas pessoas
ria desses cabelos
deseje este perfil de parceiro
daí monstro sai da jaula
e faz coisas horríveis

aí vem uma parte muito interessante que no caso é a semelhança de práticas entre diferentes povos, que se sondam, se percebem, mas nao se comunicam, n tem conversations
isto é,
no omegle talvez

veja bem

existe uma barreira entre os povos: chama-se língua, que também possuem atribuição diferencial, e também desprovidas de positividade

estou certo de que estamos em levi strauss e roland barthes aquiiiiiiiiii

aí existe nessas práticas mil
entre colares e temperos
entre burcas e ambúrgueres
entre ingreja, sinagoga e mosteiro
existe uma chamada escrever coisas sobre coisas
e vc pode notar que ela existe
mas perecer por causa da língua
por causa do alemão que nao falo, possivelmente jamais conhecerei
a mini-escrita de walser,
a jornada de gallanz,
os diário de trabalho de brecht e seu abcdário belial
por isso dependo do sebald, em português sebaldo, pra confirmar tudo o que vi na aula

e nesse trilho, existe gente que escreve sobre escrever sobre coisas,
são os críticos
pertencem a uma casta literária que se admite não-ficcional

estudar história agora
desmoraliza o preciosista
mas tem esse q alephiano
de ser tudo sem ser
em qualquer língua
passo a ter acesso à loucura de ernst herbeck
ao n sei o que de doblin e sternheim
o detalhe de stiffler
só porque fiz um curso de literatura alemã
visitei autores austríacos
e possuo internet no quarto

e mesmo com tudo à mao
não sento pra ler o olho da história
engulo a existencia dos 6 tomos
com a ansiedade de sabê-los não lidos
adivinhados

diferentes povos se matam diferente
hitler?
muçulmanos?
portugueses e espanhóis?

diferentes povos protestam diferente
formam novos povos
globalizam a querela

comem coisas diferentes
preparariam tudo diferente
se não falassem

se acaso n discutissem, n poderiam brigar
nem fazer valer a comoção
se nao deram valor diferencial positivo pra isso
passamos a dar

tenho meu método de pensar
se n te curvares a mim
ou provares que podes me alcançar
terei de te matar
pois assim é a nossa lei
muçulmana, portuguesa, espanhola, nazista
matamos e escravizamos,
desde sempre

como foi a idade média no brasil?
não mais que um parágrafo
faça suas contas
temos tribos canibais no brasil? eram mais canibais
temos tribos que comem caranguejeiras no espetinho? comiam mais
temos tribos que habitam ocas?
enquanto bebia-se cerveja artesanal
enquanto a suécia e a dinamarca guerreavam pela noruega
enquanto século após século o silêncio do kung fu das 5 da manhã
ruma incólume para hollywood
os índios brasileiros dançavam, trepavam e conviviam com sua própria savana
ao invés de leões,
mosquitos da dengue da época,
nos 3 meses de chuva,
o rio amazonas cobre o cimo das árvores
que é onde os índios medievais buscam  suas aventuras

eles foram apagados da nossa costa
n tinha índios no rio de janeiro?
na bahia n tinha?

vão querer que você acredite
que não tinha índio em cada buraco
do paraíso que é a costa desse país
que o hans staden n sofreu nenhuma edição
-deixem me ler essas correspondências a sós (...) lê "nas encostas, as mais belas mulheres de corpos desnudos. no calor escaldante do meio dia, os bicos dos seios despontam para o sol, revelando-se de dentro do cetim azulado do mar desta terra. Tanta generosidade teve Deus com este povo" ... povo? vamos cortar essa parte do povo
(...)
e cortar esse povo também
ninguém precisa saber que essa gente existiu
o poder está conosco
geramos a episteme
a história lembra-rá de um país deserto
um desperdício divino
encontrado pelos ibéricos

hans staden nunca quis sair daqui, nunca quis escrever uma única linha
ele queria visitar esse safari, comer daquele banquete espalhado em árvores,
banhar-se diariamente naquele mar
despir-se do couro
da renda
do babado
da luva
do chapéu
do rebite
da espada
queria um arco e flechas
muito mais original

índios
mulheres
negros

brancos
homens
brancos

neste semestre aprendi que toda a falência do ser humano está documentada em literatura, a única fonte confiável da história, pois que ao eximir-se da verdade, acaba revelando muito mais do que quem é eleito para contá-la. que essa literatura se extende em inventar histórias, falar sobre ser humano, falar sobre como o ser humano se organiza num grupo imenso, falar sobre práticas coletivas, denunciar abusos de poder, pensar o comportamento da pessoa como indivíduo e sua interação com o social, a oposição entre suas criações e o natural
enfim, tá tudo lá
na livraria mais perto de vc
a WWW


















29.10.16

lendo focault

aquela impressão deliciosa de que ele separou um baseado (ou drugtrend que o valha, em parrí) para fumar antes de cada texto que escreveu na vida;
que apresentou seu trabalho para um professor completamente chapado, que o aplaudiu pelo tamanho de sua viagem e o consagrou genio;
que o adicionou no programa de leituras das novíssimas disciplinas;
que alunos completamente chapados leram todos 2 de suas primeiras páginas, e passaram a debatê-lo sem terminarem nenhum de seus milhares de textos dispersos em obras com nomes fashionérrimos (pq parrí);
focault rindo em boates gays de todo o desfrute de sua recém adquirida fama de o novo aristóteles do século xx, o cara que ng lê, todo mundo cita, ng entende e todo mundo ama;

isso é o que eu sinto lendo focault

12.9.16

greek migraine

não consigo senão
imaginar platão
morando na protásio ruidosa
sua república traduzida
na surdina estrebuchada
em buzina, freio e pistão
em filas de ônibus isoladas
as vias duplas para carros apressados
competindo em decibéis
as calçadas mirradas
redutivo e indiferente
atento senão somente
à sua decepção com o som
suas idéias espelhavam-se
num olímpo de silêncio
'eu n consigo pensar assim',
diria ele ao pé da porta
o pensamento interrompido
com o queixo na mão
o estrondo e o clarão
acidente na vicente
um de ré na contramão
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

4.9.16

mais um pro temer e seus eleitores

a felicidade n é tão difícil
por exemplo eu ja ficaria satisfeito se ouvisse:
"sim, eu odeio o pt
o cabelo da dilma
os dentes dela
a voz
eu odeio vermelho!
o lula bebado sem dedo
eles tem cara de pobre
eles são pobres
eles se contentam com triplex
eles compram PEDALINHO
QUEM QUER PEDALINHO EM 2016
eles dao dinheiro pra pobre
moradia pra pobre
bolsa pra pobre viajar pra estudar
tipo QUE ISSO QUE FIXAÇÃO É ESSA COM POBRE
mas sei que foi golpe, hehe"

cade os nossos cacos antibes? se entregaram pro politicamente correto, o mundo evolui a sua volta e desaprenderam a falar! defendam seus pontos com o bom e velho humor brasileiro, vistam a máscara da charlatanisse antes que vocês mesmos virem as piadas
é hora de citar aquele
brinks com fundo de verdade

cara, num país onde se comemora vitória atingida através de erro de arbitragem

é tipo um corinthiano comemorando o título
"pior que foi golpe, hehe, mas vencemos"
and they do it every day, and they naturalized it
a guisa de combates mortais nas ruas de são paulo
com torcedores de time adversários
gente morta
morrendo pelo futebol dos outros
to the point of becoming honest

celebrem direito

2.9.16

fora temer?

enquanto isso, no upside-down do mundo celestial
'bom, fala um pouco pra nós da sua trajetória, então'
'bem, eu fiquei muito popular em 2016, pois em poucos meses de governo conduzi uma série de mudanças que ficarão por muito tempo no imaginário coletivo do Brasil, o que aliás é um grande feito, já que nosso povo nunca lembra muito qual o político fez o quê exatamente...'
'cita algumas mudanças pra nós então'
'ah, logo que a dilma foi afastada fiz coisas como nomear investigados na lavajato pra ministro,
cortar pasta da cultura (mas n deu mto certo), reduzir a autonomia da Procuradoria Geral da República... também
cancelei umas 11.250 moradias do Minha Casa Minha Vida...'
'certo, é bem impressionante, ainda mais pra alguém da sua idade'
'pois é, foi um ano de muito aprendizado, envelheci muito naquele período hehehe'
'hehehe'
'mas minha esposa tem 43 anos a menos que eu!'
risos discretos surgiram das bocas pasmadas
'sério?'
'sim, hehe. tem até meu nome tatuado na nuca'
'NAAO HAHAHAHA'
'sim, ela é linda, uma bela mulher... aqui uma fotinho dela, mãe do meu filho'
'nossa que linda'
'você tem um filho'
'vai passando'
'sim, um herdeiro'
'olha essa aqui!!'
'hehe, essas já são pra consumo interno, mas se procurar direitinho você acha mais algumas dessa na rede'
'deepweb?'
'isso'
'muito bem... é, estamos com seu currículo aqui em mãos,
estamos vendo que houve ímpeto em fechar algumas embaixadas africanas'
'olha aí, isso é importante' suspirou nostalgico
'sim, acredito que o sucesso resulta das pessoas com quem você anda, e não vemos por que seria útil manter relações com países da áfrica, que não possuem economia, industria... acho que nem literatura'
'nada honra mais um país do que sua literatura. é o que sempre digo, mande deus mestres de letras para o mais congelante dos exílios e veja do que a literatura se trata', coçando o bigode
'proposta de suspensão do sus e de algumas vagas de pronatec e fies, o que são essas siglas'
'ah, no brasil tem muita sigla, o povo nem sabe exatamente do que versa a maioria. minha filosofia é a seguinte: você não precisa daquilo que é incapaz de compreender'
'mas este homem é um sábio'
'mas logo depois fomos interrompidos, olimpíada, um casal de jornalistas mto influente também se divorciou, e foi aí que resolveram que eu deveria assumir'
'mas assim, do nada?'
'é... até fizeram um julgamento, foi um pouco complicado, mas resolvemos a questão já, é porque a dilma havia cometido delitos não listados e foi quase impossível convencê-la de que eram práticas criminosas'
'quais?'
'ah, flexibilização de regras pra abertura de créditos suplementares'
'ah sim, pedaladas?'
'isso'
'mas nós fizemos isso em todos os nossos governos!'
'nós também!'
'nós também, hehehe, bons tempos'
'sim, no brasil também era uma tradição, mas era crime não listado'
'certo'
'ocorreu que apesar de não listado, convenci que prosseguissemos com o julgamento, que se abrisse uma exceção e assim ela foi derrubada'
'certo, mas e agora?'
'pedaladas são muito importantes para o crescimento de uma nação'
'pois é, mas com ela era muito difícil tomar essas decisões, ela só queria saber de ver seus inimigos na cadeia'
'do pior tipo então'
'ela era muito generosa, n nego meu contento em tê-la acompanhado, aprendi muito sobre o país, conheci regiões sem água, geladeiras sem comida, gente sem estudo, sem dente'
'e agora, vai matar todos?'
'não assim, o brasil tem das suas, mas a verdade é que temos um espírito bom, somos corretos, é o século 21. vamos deixá-los morrer naturalmente'
'muita modernidade pra mim'
'ele está certo, o estado não tem que se envolver quando a parcela irrelevante da população, aquela que não produz, parasitária, apresenta condições para a deflagração de seu próprio extermínio'
'acho câmara de gás muito mais eficaz'
'isso jamais seria permitido'
'seria sim! ainda seria possível transformar mauzoléus em marcos históricos, manter os gradis originais, negociar com o google, instalar pokestops... a nação e a história mais uma vez se utilizariam de suas façanhas mais ousadas'
'sabemos que poderíamos exterminar toda essa população, e além do mais temos uma mídia exemplar, nossa publicidade é a quarta mais premiada no mundo todo, seria muito tranquilo amenizar o impacto da repercussão internacional. mas não temos a intenção de inteferir na natureza daquelas pessoas, temos projetos muito mais importantes para priorizar
'por exemplo'
'bom, primeiro legalizar de vez as pedaladas'
'claro'
'sim, pra evitar confusões no futuro'
'o que mais'
'aumentar os salários do ministros que votaram em mim, né? acredito que temos que ser políticos, todos nós, mas principalmente nós, os políticos. já estamos tramitando a equação, essa receita será abatida de direitos trabalhistas, de aposentadoria... no brasil empregada doméstica tem carteira assinada'
'hahahaha'
'é a realidade, salários ínfimos, acho que ganhamos mais em taxa na contratação de um lixeiro por um empregador do que o prório lixeiro... e tem velhos que não morrem só pra mamar do governo, débeis, é uma situação penosa que precisamos
recondicionar...'
'é a verdade'
'mas eles tem remédio de graça?'
'muitos deles sim'
'ah mas aí não adianta'
'sim, isso é uma política velha, vamos cortar isso também'
'certo, muito bem, estamos passando uns minutinhos já do nosso tempo'
'sim, é que o papo tá bom'
'hehe'
'entraremos em contato'
'espero que com boas notícias!'
'vamos lá, você vai cruzar com o Al-Baghdadi ali no corredor!'
'nosssa, concorrência forte'
'hehehe'
'heheheheh'

31.8.16

está liberado falar caralho

gozando nx boca dx locx dx vossx primx, padre,
aqui mesmo, na capelinha, tu que nem é um cara de caralhos, de bocas e de primxs
desde que você ampliou este lugar
botou essas maquininhas
está liberado até usar o cartão do cpf pra bater uma linha na mesa da cozinha
e isso nem sou euzinhx quem tá dizendo, padre
padre
eu odeio o senhor
e da maneira que o senhor coloca as coisas,
eu odeio o Senhor também
e olha que ele me visita toda noite
e me abençoa todinhx
os seus canais de televisão, assisto todos, padre
eu vejo o seu programa,
vim aqui para participar
fazermos o nosso programinha
padre e programa são coisas que eu processo muito bem
e venho de texto decorado
com essa platéia maravilhosa
crente, temente
vivendo isso com a gente
te trouxe até um presente
ao vivo, pro brasil, padre
pega esse livro assim
vamos realizar a fantasia desse povo fanático
porque um marco democrático deve sempre ser celebrado
pega esse livro e segura ele enrolado
mete no meu cu toda a constituição
minha intenção era cagar no faustão
mas só consegui horário nisso aqui
então vem, padre
me escomunga,
me exorcisa,
me mostra teu descarrego
eu desafio tua metafísica
quero ver me exorcisar em rede nacional
aqui, ao vivo, agora, padre
passagem ritual da constituição anal
e não vale me matar
eu quero ver a edição final.

















2.8.16

ah, o netflix

hj salvei meia dúzia de listas
melhores filmes netflix brasil
franceses
ontem assisti a lista de schindler
nem sabia que eu tinha tanto tempo pra ver um filme
mas n tenho interesse em 'terror', 'comedias romanticas'
estou tendo dificuldades de entender certas questões de cânone
estamos na era da coexistência de cânones alternativos
mas tb na era em que grana compra o direito de reunir e difundir idéias
valores
tipo o netflix.
mas toda vez que eu fico no beco dos livros eu fico retardado, então.
gostaria de me demorar nessa conversa tanto quanto possível em livrarias
girar em 360 graus no bookshops
câmera olho de peixe
clipe da bjork

falando em islandia
falemos de valter hugo mãe
tive a satisfação de ler a máquina de fazer espanhóis há alguns meses, e achei uma maravilha (claro que a experiência cosac naify nem sempre salva o conteúdo, sempre ajuda o leitor) cheia de coisas fascinantes como por exemplo a eterna esquisitisse trancona da literatura portuguesa. ele pontua o livro saramagicamente, e ainda por cima não usa maiúsculas, criando um vortex de sintasse desimportantemente poético. para um plot tão monótono¹ (notas de rodapé revelam spoiler) a história é excelentemente bem contada, ainda mais da perspectiva da protagonista, profundamente silente (logo humano poético) e reclamando um assunto² tão visceral (logo humano, biológico). enfim, bem impressionante. narrada em prosa (do tipo cuidadosamente pensada pra ter som, voltas tonais e vocais, ritmos de uma prosódia que diz muito só pelo tom da voz), a obra tem uma diagramação que está mais para a liberdade do texto poético, respeitando a margem, na verdade raramente chegando-lhe a tocar. o que valter hugo mãe faz é emprestar a voz amadurecida da personagem central ao silêncio de sua poesia mental.
coisa que ele passou longe de fazer no desumanização. acabo de finalmente findar a primeira parte (com mais crença do que paciência). o livro faz parte da mesma série. se eu fosse falar disso seria nas notas em rodapé. mas não falarei. talvez quando tiver lido todos.


fiquei pensando
o brasil e outros países em que se tolera a coexistência de marginalizados e elitizados é tipo um nazismo que deu certo por meio da propaganda e maquiagem
como se no nazismo o fascismo tivesse falhado como teste
mas tivesse evoluído de maneira mais discreta
do que estender o braço para campos tomados por pessoas armadas enfileiradas
uma culturalização do preconceito
algo que nos atrofiou
nossa própria india
pelo menos até agora
o gigante acordou
levará horas pra sair da cama
só mais 5 minutinhos

fisiologia

preciso ter com um nutricionista
pois tenho me alimentado de poesia
tenho me deliciado
devorado o silêncio
comovido pela apresentação do prato
o amargo retrogosto
da dieta sadia

sob um céu de
oxítonas
poesia é fazer
uma árvore morta luzir
e uma estrela morrer
e depois calar no vácuo da pausa pra um cigarro

23.7.16

o rh de deus

é quando tu precisa de uma informação sobre deus e o universo simplesmente n colabora pra passar a mensagem
pq deus se comunica com esses sinais, essas coisas que caem, ventos brizantes e aquela luz do sol atrás de núvens, e às vezes, my friend
communication breakdown
a partir daí tudo que vc toca vira
compreende? é como uma anestesia brutal dos eventos do mundo
é blur e solidão
e tudo bem

aí vc fica um pouco cansado pq cansa mesmo e pede pra falar com o mentor da porra toda
algo que tá mais ou menos entre deus e vc mesmo

eu n quero explicar que n é o deus que vc tá pensando
pra isso devo clarificar meu deus
mas isso n vai agregar em nada
senão ao fato de que não há rh

hm

também por que eu ia querer falar com o rh?

pq deus recruta um pessoal
esses ventinhos que derrubam coisas
esses raios de luz e chuva torrencial
são coordenados por uma infra
e administram áreas da existência
pq eles n tem mais nada pra fazer
fazem isso por nós

do processo de seleçao

a seleção de novos anjos tem como principal requisito a morte.
a disposição de cargos organiza-se conforme a experiência do candidato em vida.

etc

esse seria o deus que vc tá pensando?
eu tava pensando mais no deus mais como sendo a vida como ela é
só que com rh



22.7.16

i am not beautiful

im looking at those squary eyes
ive got three lines and yet, regret

18.7.16

ffffffffffffffffffffffffff

sou fumante e n tenho pena de quem esta do meu lado
faço uma coisa horrivel só por ser legalizado

imagina que louco se eu chegasse tipo
OI PESSOAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAL
WELCOME TO SCHIZOPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARK
um lugar que n existe onde voce pode estar a par de todos os meus conflitos mentais!!!
SEM PAGAR NADA
e n é o blog
é o que ele "representa", "descreve", "discorre sobre"
ele acaba representando algo pq resolveu representar coisas
sobre mim pq um blog a priori implica um narrador necessario
que sou eu
mas que podia n ser se eu inventasse uma voz (pra mim)

uh

adeuza


13.7.16

1 sonho

um feed que se alimenta sozinho
e não seja gerado por nenhum de nós
por exemplo essa semana não almocei nenhum dia

can one be grateful when one doesn't have much?

eu sou do time que n digita google
digita g
e espera o autocompletar
eu faço o mesmo no blogger, pq meu blog é aqui
digito b e espero o auto completar
aparece beeg.com

BIBLIOTECAS

bom dia da manhã
a inenarrável (ainda que narrada) sensação de tomar café achando que ainda é ou pode ser a stout de 6 horas atrás. foram três litros, diluídos em 48 reais dos meus dinheiros, que me deixaram numa euforia e num estado dramático de socialização viceral como nunca antes vistos. raramente me arrependo de abandonar o recinto. hoje é o caso. ainda estou bêbado, eis um fato. caminhei falando sozinho até o banheiro. falavra soubre um sentimento de confusão de ter acordado as 8, n sabia se pq meu corpo tava pedindo alcool ou água, ou se apenas foi o barulho da protásio.

mas não é pra isso que estou aqui. estou aqui pra compartilhar uma epifaniazinha fortuita que tive ontem, em torno da graça aurática sublime de se entrar numa biblioteca pública com um diploma de letras. serei breve (preciso cagar): aqui tudo é muito no domo do simbólico, de modo que eu não levei mesmo meu diploma pra biblioteca (conste). ontem dei o rolê na biblioteca de porto alegre. estava frio, entao nao sei se tem arcondicicionário. estava sem bateria, então n sei se tinha wifi. tinha janelas abertas e o som do centro administravido reberverava sem ganho no recinto. daí eu descobri pra que serve meu diploma: eu pedi pra bibliotecária me levar até as literaturas de língua inglesa, ao que ela prontamente digitou em seu lenovo do milhão "literaturas de língua inglesa". não deu tempo de eu dizer ~moça assim a senhora n vai encontrar muita coisa eu acho pq n deve ser assim que tá cadastrado~ ela já me tomou pela mão e me levou até as gôndulas pendejantes, cinzentas e metalizadas (ah a memória escolar desabandonada). lá encontrei a estante que eu obviamente não sabia manusear, se horizontal ou verticalmente. reconheci o joyce, e fui reconhecendo seus convivas (mas não todos), acabei embasbacado em uma seção chamada TEORIA DA LITERATURA só com autores brasileiros explicando pra quem quiser saber o que é TEORIA DA LITERATURA, inclusive uma edição de alguém da cultrix com exercícios, daqueles que todo doutor em letras, pq acostumado a achar tudo ruim porque a academia lhe ensinou que achar algo bom demanda estudo, obcecação, bibliografia e publicação, adora chamar de lixo. conforme fui avançando no passeio cruzei com os brasileiros que me foram

nossa, to com gosto de álco na boca ainda,

que me foram sinalizados graças a uma distinta edição do senhor ignácio de loyola brandão, autor naquele livro basilar na literatura experimental ditatorial lusoamericana nxzero.

apesar de eu ter ido com pressa, aprendi que em um tempo imemorial (mentira, era só antes do século XX mesmo) as bibliotecas públicas (as não universitárias ou escolares) cumpriam uma função linda e louca de ser biblioteca. na biblioteca vc estava inteirado das novidades literárias do mundo inteiro, das culturas de locais distintos, etc, coisa que as pessoas usavam pra experienciar coisas e lugares que elas possivelmente jamais experienciariam empiricamente. mais do que isso, aprendi que enquanto as bibliotecas foram gradativamente sendo substituídas por locadoras de vídeo, o profissional das letras, além de ser mal pago e desinteressante aos olhos da parcela bem resolvida sexualmente da população (me refiro aquela que se olha no espelho e sente vontade de transar consigo mesma), perpetua o conhecimento bibliotecário, visto que lhe é outorgada a possibilidade de guiar passeios pelas estantes do local. foi muito legal ver todos os livros reunidos. sim, estou encantado com a biblioteca como se tivesse ido num zoológico, com a diferença que tinha vários mortos e dava pra encostar, e a sensação de inutilidade social daquilo foi particularmente palatável. me senti um pouco o cara de barba branca com um cetro de pau dos senhor dos anéis, apenas que meu poder era ~já ter lido esse ou aquele~ e relacionar ~o que não li~ com aquele outro ali porque ambos fazem algo no mesmo sentido em algum aspecto.

que dia lindo.
ressaca vindo de leve assolando meu ser.

se existe inferno, é a desmontagem de palco, mas acho que disso eu já falei.
preciso escovar os dentes. brush my tits.

ah, falou falar das pessoas que vi.
vi um cara lendo papes escritos à mão. seriam textos funcionais? cartas pra alguém? estudos de caso? reflexões sobre a profundidade da consciência de estar vivo? experimentação formal?

vi a menina debruçada sobre a mesa olhando netflix no celular, linda.

vi várias pessoas compartilhando uma mesa mas elas não falavam entre si.

vi claro a bibliotecária estagiária, que lia sua timeline no facebook.

vi um prédio pseudo monumental, apenas faltando resolver uns detalhes tipo luz.

voltaremos certo. quem desdenha da biblioteca pública é filha da puta e tem que morrer.

tchau.

u realize

all these songs
oh i'm proabalur regret
they about haer
they sukk bad

6.7.16

a piece

na estética, tudo depende da apresentação
do ataque
do acabamento
sabe do que eu estou falando?

no texto, daqui em se tratando, seria eu fazer uma bela apresentação do que você (leitor receptor pessoa (ou maquina) que n esta escrevendo) vai encontrar ao longo deste colóquio, ou ao menos instigá-lo a continuar a leitura

mas infelizmente, n sei se é o que vai acontecer

em primeiro lugar vou me apresentar, eu sou a instância narrativa, eu falo coisas que sao escritas aqui e elas podem ser verdadeiras ou falsas o quanto eu quiser e você poderá ficar confuso pois eu posso dizer que deus é gay e que Deus é pai e vc n confiar em mim. eu sou criação de uma pessoa. uma pessoa é um ser vivo provido de memória. sua memória advém de sua capacidade de registrar. o ato da criação é uma cruza da capaciade de registrar com o ímpeto de inventar. inventar é uma consequência de uma ansiedade mental gerada por algum aspecto proeminente na vida da pessoa. a pessoa tem uma vida. durante a vida, ela inventa textos. cada texto tem um narrador. cada narrador atua de uma forma em particular naquilo que ele está contando: ele pode conhecer os personagens "pessoalmente", ele pode n existir mas saber que aquilo tudo está acontecendo, ele pode inclusive matar o leitor, assim, simbolicamente. quando o mesmo narrador narra diferentes textos, chamamos de série. esse é o meu mundo. seja bem vindo (mas n repara a bagunça).

agora vou narrar

cheguei em casa, que felicidade
como é bom chegar ao lar
o único problema é chegar e encontrar a escuridão
lembra-me de idos tempos
respiro fundo ao sentar, fatigado do trabalho.
giro na cadeira. n tem outro lugar pra ir.
vem uma sensação de nowhere to go

comprei um livro, mas n é o suficiente para começar a lê-lo
preciso de espaço, de luz e de limpeza
pego um cigarro
eles n entendiam porque eu gostava tanto daquilo
do preto, daquele teatro depressivo
eles n entediam pq n os ouviam
n prestavam atenção no que eles diziam
fui à sala, obsoleta
sentei-me no sofá em meio ao breu total
blackout total
erigi a chama
taqueilhe fogo
eles não ouviam porque n queriam ouvir
mas era sobre eles que estava escrito ali
sobre seu distanciamento
sobre sua desilusão
sobre a tal solidão
eles podem dizer o que quiserem
eles não estão naquele sofá, naquela sala, naquela escuridão
estão celebrando sua própria ignorância
felizes de terem mais disposição pra fingir contentamento
focando na alimentação pra melhor aprisionarem seus pensamentos mais danosos
mais reconditos
mais secretos
todo mundo os tem
todo mundo pensa algo muito ruim de alguém
e todo mundo esconde isso
eu n escondo de ng
vc esconde sim
la vem a bonitinha
uma querida
sim, parece uma putinha da tia carmem
nossa, vou pedir pra vc repetir isso pra ela posso?
claro que nao
entao vc esconde
n vai falar nada
ok
n escondo mas n vou dizer na cara dela
que vc acha que ela é uma putinha da tia carmem
aquela vozinha nhenhenhe fininha irritante
sim vc acha isso dela e n vai falar na cara dela
claro que nao
pq vc esconde seus pensamentos mais horríveis sobre as pessoas com quem vc convive
oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
ola! eaíí
helloooow
como tu tá linda! qto tempo
adorei essa manta aahaha
guri to morrendo de calor n era inverno?
mas eu sei que ela odeia a outra.
a gente guarda até os piores segredos dos outros. muito tenso.

eu giro na minha cadeira, olho pros lados dá até pena de mim mesmo
era só levantar e arrumar, preguiçoso e lento
ir dormir que seja
abrir mao daquela deliciosa leitura
do fim do semestre aguardado
comer uns rango

mas existe uma sensação de que há sim uma nuvem, ainda, desde sempre
que ela paira livremente e consome nossa sorte e nossa disposição
da onde ela vem? pq estou tão triste? por que quero estar tão só? por que ainda me sento à escuridão?

ainda é possível ser o arturo bandini afinal. ainda é possível ter sonhos de bunkerhill, ainda é possível querer ser alguém sem fazer nada de útil, mas ao menos tentar compreender um pouco melhor.
os tempos estão mudando, e o mesmo acontece às tretas da alma.





1.7.16

adivinha quem está de volta



Please stop dancing in my head
I have cried till I'm half dead
Please stop dancing in my head

Please stop dancing in my mind
I have cried till I'm half blind
Please stop dancing in my mind

Please stop dancing in my heart
I can't seem to make it art
Please stop dancing in my heart

Please stop dancing in my sould
I can't make it rock and roll
Please stop dancing in my soul

Please stop dancing in my sleep
I can't make it twang and beep
Please stop dancing in my sleep

Please stop dancing in my eyes
I can't make it pretty lies
Please stop dancing in my eyes

Please stop dancing in my blood,
ill wind blowing no one good
Please stop dancing in my blood

Please stop dancing in my life
I will never be your wife
Please stop dancing in my life.

31.5.16

gimme grace

o que vc faz pra impressionar em prol de algo que realmente valha o regozijo do reconhecimento social

é o seu conhecimento em processo artesanal?
sua tragédia paternal?
sua narrativa imoral?

o que vc faz pra impressionar no caso, a si msm
n com tragédias
com graça

projetar e ficcionalizar uma persona idealizada é muito fácil, jéssica
eu quero ver vc
socada num quarto transbordando de si
pf duvido

24.5.16

n é a toa que nos anos 90 as pessoas eram fãs do marilyn manson

hj em dia nem isso tem

sim, estou cercado de ególatras, todos deslumbrados com as supostas infinitas possibilidades do eu, que não conseguem calar as suas bocas cheias de palavras escaravinhadas e conceitos desmiuçados porque são francamente viciadas no efeito que seus discursos (ocasionalmente) surtem (às vezes com merecido sucesso) nos (frequentemente tolerantes, quase sempre respeitosos, inconscientemente solidários à demonstração de carência e pedido de abraço) ouvidos dos interlocutores mais incautos.
puf puf
estou cercado de reacionários (me desculpe a palavra, não queria ser esquerda mas vamos combinar) que não se cansam de falar (sem ler/escutar/conversar nada disso antes). isso tem tantas facetas que chega a dar desgosto ter que dividir a vida com essas pessoas. eu fico imaginando um suposto ciclo de reacionários conversando, uns poucos numa biblioteca herdada por gerações de advogados que não leram aqueles livros (e disso cientes) influenciado por um cara que leu (muito refere-se a ele como vovô) e os deixou lá, a mercê da história e do que ela faria com eles: acabou na mão de crianças afetadas com a determinação com o progresso em detrimento de uma sobrehumana preguiça que lhes permitia pensar de uma maneira dicotômica viciosa e obsessiva: não trabalhar e ganhar dinheiro.
estou cercado por um mundo que acima de tudo vive uma crise de linguagem cujo pior efeito colateral é não saberem a hora de calarem [sic] a boca.
e mais
tocar fogo em porto alegre ou no resto do país
bradar os versos se o temer não cair, porto alegre vai ruir só vai destruir porto alegre, e aqueles caras [temer, cunha, calheiros (!), dirceu, os crentes, os donos de terras infinitas, os petrobrás (e olha, os pt se pá ficam hein, voltamos a isso logo mais)], como qualquer um de nós, vão pegar toda a grana que der e vão cair fora. ou eles vão ficar esperando as bombas dentro do planalto? vc mexe nas leis garante um beneficiozinho e tchauzinho que eue n quero ir pra cadeia*.
assim como se qualquer um de nós tivesse a intenção de fugir da cadeia mudaria inclusive as leis, se esse poder detivesse. eu mudaria umas leis se eu pudesse.
meu, sísifo. o brasil é a pedra que os políticos tem que rolar até o topo da montanha apenas para vê-la despencar: em uma república de proporções continentais, onde mais de 50% da população é negra e ninguém a vê nos setores de intersecção social de classes A-B (geopontos, como bairros comerciais e noturnos), com língua única em toda porção continental (cercado de países que compartilham a língua, mas não dialogam, e muito menos com o brasil): NINGUÉM DEIXA ELES CURTIREM ESSE PRIVILÉGIO QUE DEUS LHES CONCEDEU: UMA VIAGEM COM TUDO PAGO NUM PARQUE TEMÁTICO NO MELHOR ESTILO DISNEYLÂNDIA CHAMADO PLANETA TERRA.
e mesmo n precisando fugir da cadeia, se eu pudesse mudar umas leis eu mudava (vc tb, todo mundo).
de modo que o seguinte: os caras que estão no poder do brasil estão CAGANDO para o brasil,
pra você, pra mim, pra sua terra (a menos que vc tenha mta, que possa gerar mta pra que vc renda mto pra eles fazerem mais grana pra comer em restaurantes mais exóticos e usar panos mais raros e jóias mais brilhantes e conhecer lugares inóspitos enfim LIVE THE REAL THING CALLED BEING ON EARTH FULL TIME.), pro já referido vovô, entusiasta de sinfonias épicas que de alguma forma se percebeu admirado (ver desambig. ) pela orquestração do destino de toda uma população politico-geográfica num quinto de terra dum planeta solitário no meio do tudo-nada que experienciamos com hora pra acabar (sabemos que morremos, só n sabemos quando) em prol do benefício próprio.


um mundo em que até o marilyn manson ficou normal

PS.: desculpa eu sei que passaram 10 anos e eu continuo digitando como um mano mas meu.

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*entitulada a cadeia, poesia de um político brasileiro de terno italiano ($7800, cifragem em dólar), carro americano ($192000), mansão em malibu ($590000)  punta ($190000) cana (@$!$!$!$) ape discreto mas alto em miami ('mas essas residências aí estão muito baratas', me redargue o incauto, 'mansao em malibu n é menos q ~preço exorbitante~', sempre achando que o mundo é uma reviria, incorreto ao esquecer que essas pessoas - os golpistas - são indivíduos como eu e você: que se tivessem trilhões não iam comprar o triplex de malibu, mas sim o bangalô, mobília típica local (e não dinamarquesa) e outros atos que, a luz de trilhões, acabam soando mais econômicas), neto do homem que ajudou a fundar sua distante cidade natal a base de muito suor, algum intelecto (afinal, até um trilhão pode um dia acabar) e uma biblioteca inteira, hoje abandonada à sorte de jovens adultos com espelhos imensos em casas, conscientes de seus corpos, de suas belezas, de seus recursos de afeição e quem sabe um pouco de manutenção do poder.

a cadeia
a cadeia é abjeta









6.5.16

UPDATE MTO IMPORTANTE

chave quebrou
super
uns artigo
uns gato
uns livro
uns frio
umas preguiça
uns golpe
uns teto

27.4.16

uohohooou

blog podia ter áudio
eu n ia usar mto
ou ia

vibe errada é
poder estar deitado numa cama de hospital ouvindo o eco do chão de lajota de banheiro dos sussurros dos parentes entre entes e eventual dano financeiro com dor no estômago baixa pressão dor na coxa com tubo de soro na mão respirando fraco e impotente dor no cu na cara e nos dente dor na pleura na patela esperando pra não morrer e continuar achando tudo uma merda
e ao invés disso estar achando tudo uma merda

porra é apenas um concerto de pequeno porte mesa de 6 canal dois pa um piano elétrico seguido de uma prova de mestrado com 10 livro que n cai nenhum tudo num frio
é só um monte de pó
uma pia cheia de louça
uma mesa cheia de cinza
e uma sensação de mal estar

são 11 e 9

tem aula às 13
depois às 15
depois às 19h30-21-30
depois ensaio do outro lado da cidade às 21h30
depois cama
depois tocar tudo que eu n toquei a semana inteira
depois tocar
depois DEU

PORRA QUAL É O DRAMA NEGÃO


29.3.16

26.3.16

cheguei onde eu queria?

tipo do verbo 'acabou, jéssica'?

ontem quando eu vinha subindo o sexto lance de escada, com 2 (dois) violões, 1 (um) teclado e 1 (uma) estante, mais uma mochila de equipamentos nas costas, sozinho, exaurido de um show que terminou às 4 da manhã, tive uma epifania bem de leve,

eu estou fazendo o que eu sempre quis, do verbo eu sempre quis fazer isso mesmo que tô fazendo.

dizem que na escandinávia há o maior índice de suicídio do mundo - se é verdade não sei (já adianto que não é), mas mto já me me questionei acerca das razões. minha conclusão, sempre inocente na pontualidade informal de minhas conjecturas, é de que as pessoas já nascem completamente inclinadas à realização, o que pode eventualmente levar ao consumo total do espírito, uma euforia seguida de vazio seguido de vontade de morrer. o objetivo que pra nós pode ser um tortuoso caminho de falhas e auto-sacrifício soa, em lugares hiper-desenvolvidos, como o mero desafio de escolher uma bola de sorvete. ser piloto de avião, ser atleta, ser dono dum bar lindo, ter uma loja de produtos incríveis, ser um artista.

também já li por aí, num livro ~teórico~ do G Bataille que ao final do orgasmo vem um desejo inerente de morte, o que sugere uma leitura expandida daquela velha discussão sobre desejar a) estar morto depois do sexo, b) que a outra pessoa não estivesse ali, c) que você não estivesse ali. sempre achei esse papo meio balela, eu particularmente fico mesmo é com d) de dormidinha.

bem, seja vontade de morrer, de sumir ou de dormir, fato é que toda guerra batalhada com afinco e interesse próprio exige descanso - inclusive as não sexuais. ontem, após voltar do Dogstock, festividade em que toquei com outras duas bandas da cidade, deitei imóvel na minha cama, pensando que estaria tudo bem se eu desse uma apagada afinal.

lembro que quando estava na faculdade questionava minha existência diariamente, o volume de texto, o trajeto de ônibus, minha própria casa, as pessoas ao meu redor, qual era o valor daquilo tudo na minha felicidade, que pareciam não estar ajudando em nada. eu tinha café quente diariamente, um cartão de crédito para os gastos com a vida estudantil, uma cama, uma família, estantes de livros e amigos por tudo, e nada daquilo me ajudava a projetar futuro nenhum, somente cansaço mental e infelicidade massiva.

enquanto ao subir 6 lances de escada, cansado, sozinho com 30 kgs de equipamento numa noite chuvosa... eu até conseguia não pensar na minha própria condição, mas em algo mais...

e eu sou francamente daquela linha que diz que felicidade é quando você consegue se distrair de si mesmo - vide videogames incríveis, grandes narrativas, filmes avassaladores, pessoas deslumbrantes, paisagens vicerais, comidas deliciosas...

estou reticente hoje, a cara do blogger, hahaha
passei o dia dentro do meu quarto escuro, meio dormindo, meio não.
não é exatamente o que eu entendo por felicidade, e na verdade é uma postura que até me causa um pouco de aversão (medo).
mas no topo daqueles seis lances, recordo muito bem do meu pensamento: not bad.

not bad.










10.3.16

total blankness of the mind

uhum, a bunch of people's
selforiented achievements
collectively celebrated
taking advantage on other's weaknesses again.
right,
all conected
all online
all fit.
political disagreement in perfect harmony
no measures been taken
police and government
watching the political reality show
which is so democratic
its very own citzens are given protagonism.
pictures of food.
pictures of cats.
2 different parties
agreeing on pets
overwhelming
funny cats
cast over ideology.
collective individuality.
race.
shame.
exacerbated sense of underachievement.
need of coping with.
providing more time on gadgets
than on offline life devices.
its not even my life.
empathy wasted
through the tip of the fingers.
characters of sadness
all empty inside
bites
electric hardware
extension of the self
and also its inexistencion
myself
itself
noself at all
not even my soul or
a percentage of body and blood
its only gadget
a need I didn't have 'til it appeared
not the core of my experience filia
a source of sociofobia
its discourse is  

a mixture of thinking and verborragia
a person who sits and reads and
feels she has to interact
to react
to act out of impetuous impulse
writing out whatever comes to mind
not because she wanted
but because she was triggered
by what's been read and commented
by other needy human fellows
sons of the same
mother,
nostalgia.
its such an easy interpretation,
and yet so failthful and true.
out of there they live opressed
but can't relate it
to the weight of their eyes and steps
the sound off their mouths
the scratching of skin
the sudden laugh
and other joys of sensually being.

people can't react
i can't react
we were blinded and so was text
where some people manage to put their ideas so correctly
and yet they remain
unheard.

unread.

from a discoursive perspective
real life became collage of
all textual possibilities you can imagine
a catalog of chaotic context
where nonsense became unsuspect

are we allowed some philosophy of the times?,
me and my voice
my unread point of view
my motif
my will

let us interprise a facebook discoursive analysis
the interrelation between the newswebsite content
and its comment box
the relationship between the author's position
and the reader's anger
the ignorancy if its offspring
and the real impact on the streets

which is naively unpolitical
and ultimately psychological.

all utopias have been real and going on
and in case you disagree with this view
perhaps out of reason,
perhaps out of an ego blast,
just bearing mind
we are all disagreeing
within their safety boundary
even our debate is programmed
is allowed
is intended to be had

so grab your popcorn
sit and enjoy
take part, exploit
the one and only age
of hiperdiscursivity

9.3.16

socorro

numa vibe gente morta,

*foi os 20 anos dos mamonas assassinas
e do site assustador.com.br
teto preto até botar esse link aqui
muito sopor aeternus por estes dias de luto

*update em 17/3

16.2.16